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DEUS,
não consintas que eu seja o carrasco
que sangra as ovelhas,
nem uma ovelha nas mãos dos algozes.
Ajuda-me a dizer sempre a verdade
na presença dos fortes, e jamais dizer mentiras
para ganhar os aplausos dos fracos.
Meu DEUS! Se me deres a fortuna,
não me tires a felicidade;
se me deres a força, não me tires a sensatez;
se me for dado prosperar,
não permita que eu perca a modéstia,
conservando apenas o orgulho da dignidade.
Ajuda-me a apreciar o outro lado das coisas,
para não enxergar a traição dos adversários,
nem acusá-los com maior severidade
do que a mim mesmo.
Não me deixes ser atingido pela ilusão da glória,
quando bem sucedido e nem desesperado
quando sentir insucesso.
Lembra-me que a experiência de um fracasso
poderá proporcionar um progresso maior.
Ó DEUS ! Faz-me sentir que o perdão é maior
índice da força, e que a vingança é prova de fraqueza.
Se me tirares a fortuna, deixe-me a esperança.
Se me faltar a beleza da saúde,
conforta-me com a graça da fé.
E quando me ferir a ingratidão e a incompreensão
dos meus semelhantes, cria em minha alma
a força da desculpa e do perdão.
E finalmente Senhor,
se eu Te esquecer, te rogo mesmo assim,
nunca Te esqueças de mim!








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Cristiny On Line























As crianças, bem mais que adultos, utilizam diferentes formas de comunicação. Se elas são espontâneas muitas vezes, em outras não sabem direito como exprimir o que sentem e acabam se manifestando em atos que podem ser mal interpretados.
Bebês se comunicam através do choro e podem pedir colo, atenção, comida ou carinho, sem que uma palavra saia da boca.
Um pouco mais tarde, a criança se comunica através das artes, que não são de modo algum a vontade de fazer algo errado, mas a curiosidade, a descoberta do mundo e, principalmente, chamar a atenção para a sua existência, em particular se uma outra criança estiver a caminho. E é com naturalidade que dão de si, que abraçam, beijam, dizem te amo. A maneira como o adulto recebe e corresponde, vai determinar o comportamento dessa mesma criança com outras pessoas na idade adulta.

É por isso que muitos adultos não conseguem chegar para os pais e dar aquele abraço espontâneo, sincero, sem barreiras. E elas usam outras maneiras para dizer que amam, por que amor existe, sem dúvida. Ele só não consegue é ser expressado.
Quantas vezes não dizemos te amo ao nosso melhor amigo e quando estamos diante dos nossos pais nós nos calamos? E principalmente quando chega assim uma ocasião especial, o coração fica lá gritando e gritando e a gente não faz nada, a gente se sente como um estrangeiro diante daqueles que nos conheceram a vida inteira!...
No nosso interior dizemos te amo, por que sabemos o quanto nosso coração palpita. Mas trocamos nossas palavras por uma visita, um abraço rápido ou até um presente.

E então o tempo passa... e quando os nossos começam a descer a pirâmide da vida, muitas vezes são eles que falam de outras maneiras o quanto precisam de nós, da nossa atenção, presença e, sobretudo, amor. E eles ficam doentes, tornam-se ranzinzas, reclamam disso ou daquilo, quando tudo o que querem é um abraço longo, apertado e um te amo que talvez nunca tenha saído dos próprios lábios.
Que bom seria se, compreendendo isso, as pessoas pudessem transformar a agonia do coração em um gesto inesperado de ternura e quebrar todas as barreiras existentes!...
Que bom seria se pudéssemos dizer eu te amo enquanto ouvidos surpresos ainda pudessem ouvir, se pudéssemos oferecer flores enquanto olhos atentos pudessem ainda apreciá-las!
Tenho certeza que isso diminuiria muito as visitas aos médicos e isso resolveria muitos dos problemas... do coração!





Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima
nenhuma.
Estamos todos no mesmo barco. Há no ar um certo queixume sem razões muito
claras. Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão,
marido, filhos, saúde, e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê
perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem.
De onde vem isso?
Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero,
uma música que dizia: "Eu espero/ acontecimentos/ só que quando anoitece/ é festa
no outro apartamento" .
Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava
acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características
da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são - ou
aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na
grama do vizinho.
As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por
falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas
vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão
bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando
grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada
assim.

Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima
nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também
motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos pra se refugiar no
escuro raramente são divulgados. Pra consumo externo, todos são belos, sexys, lúcidos,
íntegros, ricos, sedutores. "Nunca conheci quem tivesse levado porrada/ todos os meus
conhecidos têm sido campeões em tudo".
Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na
época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje,
vendendo um mundo de faz-de-conta.
Nesta era de exaltação de celebridades - reais e inventadas - fica difícil mesmo achar
que a vida da gente tem graça. Mas tem. Paz interior, amigos leais, nossas músicas,
livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia.
Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos
os produtos dos patrocinadores?
Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige?
Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa?
Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você
está sentada no sofá pintando as unhas do pé?
Favor não confundir uma vida sensacional com uma vida sensacionalista. As melhores
festas acontecem dentro do nosso próprio apartamento.


